Aos meus amigos e amigas:
Pela permissão que você me concede de entrar em sua casa, tenho a obrigação de sempre lhe falar a verdade, nada mais que a verdade. Para quem não assistiu a segunda edição do Esporte Total na última quarta-feira, dia 02, às 20h15, aqui relato os motivos pelos quais estou, mais uma vez, fora do ar:
1º - A Band Minas escolheu o portão do Mineirão, como cenário de minha apresentação ao vivo. Desde às 19h30 eu assistia a uma revolta de centenas de torcedores que não puderam comprar ingressos nas bilheterias, e que não tinham 400 reais para comprar nas mãos de cambistas.
Toda a imprensa tinha conhecimento que somente 42 mil ingressos foram destinados ao grande público. E que mais de 10 mil ingressos-convites estavam nas mãos do governador (Aécio Neves) e do presidente da CBF (Ricardo Teixeira).
Quando eu passei a ver de perto a revolta dos torcedores deficientes físicos, que não podiam ter acesso ao portão que, sempre, foi para entrada exclusiva deles e que, naquele jogo Brasil e Argentina, estava destinado a artistas, políticos e seus acompanhantes, aí sim comecei a mostrar ao vivo o que estava acontecendo. Fiquei indignado.
2º - Primeiro entrei ao vivo no Jornal da Band, com o Carlos Nascimento. Relatei os fatos, mostrei tudo! E devolvi para o Nascimento, que fez o seguinte comentário: 'A gente gosta do Kajuru por isto. Porque ele fala o que ninguém fala e mostra o que ninguém mostra'.
3º - Às 20h30, meia hora depois, comecei a apresentar ao vivo o Esporte Total', do mesmo lugar. Alí não parava de chegar todo tipo de político e de artista sem ingresso, apenas com o envelope azul do convite do governo de Minas. E alí aumentava, cada vez mais, a revolta das pessoas. Cumpri meu dever jornalístico. Mostrei tudo e entrevistei alguns torcedores.
Às 20h30, quando me dirigia a um torcedor na cadeira de rodas, que apontava uma carteirinha e, aos gritos, dizia que era uma lei federal e que ele deveria ter prioridade para entrar, eu disse: 'Mais um conflito que você vai ver logo depois do 1º intervalo do Esporte Total'. Conclusão: até agora não voltei! Estou fora do ar esperando pela decisão da emissora!
Decisão: nesta quarta-feira, dia 09, a direção da Band me demitiu às 11h da manhã. O diretor de jornalismo, Fernando Mitre, fez a comunicação e disse que saio deixando as portas abertas, e que a empresa tem certeza que um dia ainda vou voltar.
De minha parte saio sem nenhuma mágoa e, francamente, agradecendo a Band por ter me dado tanta liberdade até o dia dos episódios: Casas Bahia e governador Aécio Neves.
A estes dois deixo a mensagem de que continuo sendo jornalista. À Band deixo a minha compreensão de que mundo econômico é assim mesmo: um conflito permanente da liberdade de imprensa, neste Brasil mais chegado à liberdade de empresa.
Agora, me dirijo a você, que me assistiu durante esses 14 meses na Band: Muito obrigado por tudo, e principalmente, por me dar a certeza de que vale a pena ser digno! É isso aí, orgulhosamente volto a ser pobre, feio, mas pelo menos magro. Até a próxima demissão.

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