30 julho, 2004

empapuçado ele:- sai ! vai ! dá um rolê!!!

homem na estrada(mano brown)
o homem na estrada recomeça sua vida sua finalidade, a sua liberdade, que foi perdida, subtraída e quer provar a si mesmo que realmente mudouque se recuperou e quer viver em paznão olhar para trás, dizer ao crime nunca maispois sua infância não foi um mar de rosas não na febem lembranças dolorosas então.sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim muitos morreram sim sonhando alto assim me digam quem é feliz, quem não se desespera vendo nascer seu filho no berço da miséria um lugar onde só tinham como atração o bar e o candomblé pra se tomar a benção esse é o palco da história que por mim será contada, o homem na estrada.
equilibrado num barranco incomodo, mal acabado e sujoporém seu único lar seu bem e seu refúgiocheiro horrível de esgoto no quintalpor cima ou por baixo, se chover será fatalum pedaço do inferno aqui é onde eu estou até o ibge passou aqui e nunca mais voltou numerou os barracos, fez uma pá de perguntas logo depois esqueceram, filha da putaacharam uma mina morta e estupradadeviam estar com muita raiva, mano quanta pauladaestava irreconhecivel, o rosto desfiguradodeu meia noite e o corpo ainda estava lá coberto com lençol, dessecado pelo sol, jogado o iml estava só dez horas atrasado. sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim quero que meu filho nem se lembre daqui tenha uma vida segura não quero que ele cresça com um oitão na cintura e uma pt na cabeça e o resto da madrugada sendo mim ele pensa o que fazer para sair dessa situação, desempregado então com má reputação, viveu na detenção, ninguém confia não e a vida desse homem para sempre foi danificada, o homem na estrada.
amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual calor insuportável, 28 grausfaltou água, já é rotina, monotonia não tem prazo pra voltar, hu, já fazem cinco diassão dez horas, a rua está agitada uma ambulância foi chamada com extrema urgêncialoucura violência, exagerada estourou a própria mãe estava embriagado mas bem antes da ressaca ele foi julgado arrastado pela rua o pobre do elemento inevitável linchamento, imaginem só ele ficou bem feio, não tiveram dó os ricos fazem campanha contra as drogas e falam sobre o poder destrutivo dela por outro lado promovem e ganham muito dinheiro com o alcool que é vendido na favela empapuçado ele sai,vai dar um rolê não acredita no que vê, não daquela maneira crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo seu café da manhã na lateral da feira molecada sem futuro, eu já consigo ver só vão na escola pra comer, apenas nada mais como é que vão aprender sem incentivo de alguémsem orgulho e sem respeito sem saúde e sem paz um mano meu tava ganhando um dinheiro tinha comprado um carro, até rolex tinha foi fuzilado a queima roupa no colégio, abastecendo a playboyzada de farinha ficou famoso, virou notícia rendeu dinheiro aos jornais, hu, cartaz a polícia vinte anos de idade alcançou os primeiros lugares superstar do notícias populares. uma semana depois chegou o crack, gente rica por trás, diretoria a que periferia miséria de sobra um salário por dia garante a mão-de-obra a clientela, tem grana e compra bem tudo em casa, costa quente de sócio a playboyzada muito louca até os ossos vender droga por aqui, grande negócio. sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim quero um futuro melhor não quero morrer assim num necrotério qualquer, um indigente sem nome e sem nada, o homem na estrada.
assaltos na redondeza, levantaram suspeitas logo acusaram uma favela para variare o boato que corre é que esse homem está com o seu nome lá na lista dos suspeitospregada na parede do bar a noite chega e o clima estranho no ar e ele sem desconfiar de nada, vai dormir tranquilamente mas na calada caguetaram os seus antecedentes como se fosse uma doença incurável, no seu braço a tatuagem, dvc uma passagemum cinco sete na lei, no seu lado não tem mais ninguém a justiça criminal é implacável, tiram sua liberdade, família e moral mesmo longe do sistema carcerário te chamarão pra sempre de ex-presidiário não confio na polícia, raça do caralho se eles me acham baleado na calçadachutam minha cara e cospem em mim é, eu sangraria até a morte, já era um abraçopor isso a minha segurança eu mesmo faço é madrugada parece estar tudo normal mas esse homem desperta pressentindo o mal muito cachorro latindo, ele acorda ouvindo barulho de carros e passos no quintala vizinhança está calada e insegura premeditando um final que já conhecem bemna madrugada da favela não existem leis talvez a lei do silêncio a lei do cão talvez vão invadir o seu barraco é a polícia vieram pra arregaçar cheios de ódio e malícia filhos da puta, comedores de carniça já deram minha sentença e eu nem tava na treta não são poucos que já vieram muito loucos matar na crocodilagem, não vão perder viagemquinze caras lá fora,diversos calibres e eu apenas com uma treze tiros automáticasó eu mesmo e eu, meu Deus e meu orixá no primeiro barulho eu vou atirar se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém o que eles querem mais um pretinho na febem. sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim a gente sonha a vida inteira e só acorda no fim minha verdade foi outra não dá mais tempo pra nada...
"homem mulato aparentando entre vinte e cinco e trinta anos é encontrado morto na estrada do m boi mirim sem número,tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais, segundo a polícia a vitíma tinha vasta ficha criminal..."

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