vocês/a
essa revista, como disse anteriormente, é muito legal. sempre há algo de interessante para ver. vou apresentar uma série de artigos publicados, resumidamente. sei que não tenho direitos autorais. mas como não ganho dinheiro através disso, acho que não há problema, afinal, estou fazendo um pequeno voluntariado, e acho importante o conhecimento, a informação na vida das pessoas. comments aqui, ou no orkut = comunidade "vocesa" .se precisar de um convite, deixe seu e.mail.
na boa!
vocês/a – edição 62 agosto 2003.
artigo:
“o que faço da minha vida profissional?”
po bronson
o que faço da minha vida?
é muito elevado o número de profissionais inteligentes, instruídos e talentosos que operam em marcha lenta, incertos de seu lugar no mundo e contribuindo muito pouco para sociedade moderna. profissionais impulsionados pela paixão despertam inveja e curiosidade. porém, mais do que a procura de uma carreira, trata-se da busca da identidade.
o ritmo vertiginoso e os riscos transformaram nosso dia-a-dia em algo tão estimulante, tão excitante, tão intenso, que passamos a julgar ser esses atributos indispensáveis de um trabalho prazeroso. quase todas as pessoas que entrevistei só descobriram suas vocações depois de passarem por muitas atribulações. cometeram equívocos antes de encontrarem o caminho certo. descobertas tardias são, na verdade, sinal de que a confusão de hoje pode vir a ser a dedicação de amanhã. deparei com uma porção de indivíduos que tendo acumulado fortunas, destinavam enormes quantias para obras de caridade ou compravam ilhas particulares. conheci muita gente que descobriu coisas significativas e originais para fazer depois de ter amealhado o seu pé-de-meia. mas não é disso que estou falando. refiro-me ao tipo de fantasia mais banal: guarde sua vocação num cofre, vá a luta e ganhe rios de dinheiro, depois abra o cofre e retome aquela vocação do ponto onde havia deixado anos atrás. acontece que ganhar dinheiro é uma tarefa tão árdua que isso acaba mudando a pessoa. leva muito mais tempo do que o planejado. requer muito mais sacrifício do que se imagina. a pessoa torna-se tão emocionalmente envolvida e psicologicamente adaptada a esse universo que não aceita mais abrir mão dele. conheci muita gente que tinha deixado o dinheiro para trás. e não foi fato de ter o suficiente que os fez mudar de vida. o gatilho era sempre de ordem pessoal;. um divórcio, a morte do pai, ou da mãe, a percepção de que os filhos estão sofrendo com longas jornadas de trabalho, como o que aconteceu com um executivo do setor financeiro que decidiu abandonar sua carreira quando ao chegar de uma viagem de negócios, não foi reconhecido pelo filho de 2 anos.
diz o senso comum que o dinheiro é o caminho mais curto para a liberdade. isso é um verdadeiro absurdo. na realidade, o que ocorre é o inverso. o caminho mais curto para viver bem é a pessoa adquirir confiança de que tem condições de ser feliz com os recursos que dispõe no momento. por menores que eles sejam. a idéia de viver num padrão inferior ao que estamos acostumados é assustadora. acontece que os sonhos que assumimos tem um surpreendente potencial libertador. quando a pessoa está imbuída de um propósito, reorganiza naturalmente seus hábitos de consumo, pois se dá conta que na verdade não precisa de tanto dinheiro assim.
"a economia tem dimensões tão amplas que ninguém precisa se condenar a passar a vida inteira preso a um trabalho detestável"
a verdade, contudo, é que o trabalho deve ser como a vida: às vezes divertido, às vezes comovente, com freqüência frustrante e definido por acontecimentos cheios de significado.
o importante não é perguntar: o que farei? e sim, o que serei?
dinheiro é algo que vale em toda a parte; respeito e status são moedas que circulam apenas em âmbito local. fora do lugar de origem, essas moedas perdem muito o seu valor, se a pessoa se dá bem no ramo errado, o misto de elogios e oportunidades pode vir a aprisiona-la para sempre.
o maior obstáculo para quem deseja se encontrar é o temor de que iniciar um percurso implique fechar uma porta para sempre. acontece que essa história de querer manter todas as portas abertas pode ser uma boa desculpa para não se envolver. a interrogação “o que faço da minha vida? é uma versão moderna e secular das formidáveis e eternas investigações sobre a nossa identidade.
a última coisa que tenho pra dizer é que se irritar ao ouvir a pergunta “e você, o que faz?” pode significar mais do que ficar incomodado com a curiosidade alheia. talvez a irritação se deva, em parte, ao fato de que você não gosta da resposta que tem para dar.
15 setembro, 2004
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