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chegou o natal. meu primeiro reveillon em família, sob o pinheiro, depois de dois anos: no ano passado e no ano anterior passara a noite de natal na cena. não sabia se ficava contente ou não. decidi, em todo caso, fazer um esforço para parecer contente, ao menos no momento dos presentes. na hora, não precisei me esforçar, pois realmente senti prazer. era a primeira vez que ganhava tantos presentes de natal. num certo momento me surpreendi calculando quanto custara tudo aquilo e quantas doses de heroína representavam. (...)
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no nosso vilarejo não víamos pessoas baratinadas com drogas duras. se alguém quisesse, fosse voar em hamburgo. também não havia revendedor de heroína. o que tornava as coisas mais difíceis que em berlim, hamburgo ou mesmo nordersted.
mas se queríamos, de fato, não era difícil de achar. os caras tinham contatos. às vezes revendedores passavam pelo pedaço com um bom sortimento. bastava pedir qualquer coisa para voar e eles respondiam: "o que você quer? valium, valerom, maconha, lsd, cocaina, heroína?"
na nossa turma todo mundo pensava ser capaz de se controlar, de não se arriscar a ficar dependente da droga. em todo caso, a situação era diferente em muitos pontos do que era há três ou quatro anos, no conjunto gropius.
se a droga nos dava certa liberdade, ela não era absolutamente a mesma coisa. não tínhamos a necessisdade do sound, de música atordoante. as cintilações dos luminosos de kurfurstendamm não tinham nenhum charme para nossos olhos. todos os fins de semana partíamos para a aventura no schleswig-holstein. deixávamos o carro em qualquer lugar e continuávamos a pé até que encontrávamos um lugar superlegal. passeávamos constantemente no pântano, onde estávamos certos de não encontrarmos ninguém.
mas o mais fantástico era a nossa pedreira de gesso. um buraco gigantesco no meio da mata. quase um quilômentro de comprimento sobre duzentos de largura e cem metros de profundidade. paredes verticais. em baixo no fundo, era agradável, não havia vento. e nasciam plantas que não viamos em nenhuma outra parte. este vale das maravilhas era cortado por riachos cristalinos, cascatas brotavam da muralha. a água escura enferrujava as rochas brancas. o chão estava coberto de pedaços de pedra branca que pareciam ossos de animais pré-históricos...e olhe lá se não eram verdadeiros ossos de mamute. estas escavadoras gigantes e os tapetes rolantes que faziam toda a semana uma confusão geral, pareciam, no domingo, imóveis e silenciosos há séculos. o gesso os vestira de branco.
estávamos absolutamente sós. separados do mundo exterior por abruptas muralhas brancas. nenhum barulho chegava até nós. não ouvíamos nenhum barulho a não ser o das cascatas.
decidimos comprar a pedreira no dia em que ela não estivesse mais sendo explorada. nós nos instalaríamos no fundo. construiríamos cabanas, plantaríamos um imenso jardim, criaríamos animais. e dinamitaríamos o único caminho que vela à superfície.
de qualquer forma, não tínhamos nenhuma vontade de voltar lá pra cima.

Em 2003, uma mulher elegante e decidida encara velhos fantasmas...
fim
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